sábado, 5 de dezembro de 2015

Corrupção, sonegação, lavagem, concentração de renda e impeachment

Em meio ao pedido de impeachment da presidente Dilma, é preciso assinalar que o maior problema do país é a corrupção. Sem dúvida alguma, trata-se de um processo em sequência, trazendo consigo a sonegação de impostos, a remessa maciça de capitais para o exterior, tudo isso ampliando a concentração de renda e, para concluir, o empobrecimento da população. Sim, porque, como estamos assistindo, a concentração de renda, em segmentos cada vez mais restritos, se reflete na queda do consumo, consequência da redução efetiva do mercado de emprego e das perdas salariais que acarreta.
Com base nesse panorama, bastante exposto à opinião pública, surpreende a declaração do ministro Joaquim Levy, em entrevista a Martha Beck, O Globo, edição de segunda-feira, quando assinalou ser importante entender a emergência fiscal em que o governo e o país se encontram. E acrescentou: a dificuldade de alcançar a meta (fiscal) este ano não é porque se gastou muito, mas porque a receita caiu muito além de qualquer previsão nossa ou do mercado. Previsão do mercado? Essa não.

Essa não porque estava claro que a arrecadação iria diminuir, sobretudo na medida em que o consumo desabou. Há meses O Globo, Valor, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, vêm noticiando e analisando a retração econômica que está sensibilizando a sociedade, principalmente após o próprio ministro da Fazenda, por mais de uma vez, ter-se referido à recessão, para, em seguida, utilizar o verbo retração, a fim de não irritar a presidente Dilma Rousseff.

Todos esses fatores deveriam tornar o quadro critico mais que previsível. E os reflexos da corrupção? Como está no título são enormes. Claro. Porque como os corruptores e corruptos podem fazer com o volume dos roubos que praticaram e praticam? Enviando-os para agências financeiras e bancos internacionais. Em dólares não observados pelo Banco Central. Não só para escapar da hipótese de fiscalização como também pelo fato de o dólar subir mais do que o real. Este ano, por exemplo, de janeiro a novembro, aa moeda americana valorizou-se na escala de 47% em relação ao padrão monetário brasileiro.

Dessa forma, além de não terem de prestar contas à Fazenda, ainda por cima obtêm lucros adicionais gigantescos, sem pagar impostos. Consequência direta da corrupção.

O ministro Joaquim Levy, portanto, especialista como é, não pode desconhecer tal engrenagens avassaladoras, a qual cria também em torno de si uma rede enorme de interesses, os mais diversos, oscilando entre a área econômico financeira o plano político, onde mora o poder público. E é assim que o governo perde concretamente a receita que deveria arrecadar, mas que não arrecada. Ela se escuma, para as praias da riqueza, da sofisticação, da exuberância.

Mas como só podem praticar a alta corrupção os mais poderosos, os milhões de homens e mulheres que compõem a força de trabalho brasileira, terminam perdendo espaço dentro de seu próprio país, enquanto os ladrões ganham espaços em bancos suíços, além nas agências de capitalização e captação e nos percursos que levam à rota de Monte Carlo. Em síntese: a corrupção é a maior exportadora de capitais do Brasil. Para muito poucos brasileiros que logram ultrapassar as lentes da Receita Federal e escapar das obrigações para com o país e o Tesouro Nacional.

Por falar em tesouro, os exportadores preferem o seu tesouro particular. E a renda vai se concentrando cada vez mais. E a Fazenda arrecadando cada vez menos. Enquanto isso, o país continua cada vez mais parado, ainda mais com o processo de impeachment
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